segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A precisar de ser salvo

E o mundo acaba ali, naquele pôr-do-sol brilhante. As batalhas cessaram e as estrelas luzem no céu. Já não há luzes que se movam. Não há nada que se mexa. Apenas eu e cinco amigos.
Ofegantes, estamos em pé olhando os corpos no chão. Entreolhamo-nos sem palavras e entendemos bem aquilo que sentimos. Tudo aquilo para nada. Tanta força para acabar assim. Nada ganhamos. Nada importa.
O que ali fizemos, o mundo não saberá. O que ali ficou, o solo vai sucumbir ao passado e tudo desaparecerá. Aqui não há sequer jornalistas nem fotógrafos para gravar e capturar para uma tela os momentos – os pesadelos.
O silêncio magoa a alma e sentimos o corpo latejar de algo que não é certo. Estamos a combater por uma guerra que não é a nossa. É de uns senhores que usam a pátria para idolatrar corações. Leva-os a pensar que estão a defender algo bom. Mas, não estamos a defender nada no mundo. Apenas estamos a criar mais ódio, mais vingança, mais morte.
Sabemos bem que saímos daqui e vamos para casa, com medo de surpresas. Medo que a meio da noite nos levem a família e nos façam aquilo que nós fizemos.
Jamais seremos os mesmos e nunca será possível recuperar de tal mazela.
Meu amor, regressei a casa e quero que saibas que te amo muito. A guerra acabou – mas para mim acabou apenas de começar.

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