Era uma vez uma linda princesa que gostava de fazer umas “marotices” com os rapazes. Era bonita e apesar de tudo o seu coração escolheu apenas um. Um jovem rapaz que ela queria que a amasse. Só que era um jovem do mercado e nada tinha. Não podia ser um pretendente, mas o amor deles era forte, como uma chama intensa que ar no nada.
Viveram aventuras às escondidas de todos. Os bosques serviam de refúgio. Escondia os seus segredos e suspiros. Era a onda de calor dos seus corpos que vibrava cheia de sentimento.
Amavam-se e um dia decidiram fazer a sua história, criando um “para sempre” só deles.
Montaram a cavalo e fugiram, levaram a felicidade e construíram um lar.
Dois anos mais tarde regressaram e ninguém os quis aceitar. Voltaram para onde foram outrora, regressando ao seu lar, deixando uma carta:
“O amor deve ser procurado e conquistado, ninguém deve deixar os sonhos para trás. Quem não o fizer estará a entregar a sua alma à infelicidade.”
Só aqueles que deram ouvidos tiveram uma vida feliz e mudaram-se para perto da princesa. Enquanto o resto…o resto morreu com as piores doenças à face da terra conhecendo os horrores da vida.
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Alquimia de um velho
São os traços de uma caneta. Traços banhados em alegria que
desprendem um sorriso. Esse sorriso maravilhoso a que te acostumaste e aprendeste a viver.
Na inquietude dum lago, soubeste escolher o melhor lugar para teres a melhor paisagem. Saboreias cada pedaço de sol e olhar-te dá-me a sensação de que te conheço de algum lado.
É incerto saber onde e o porquê, é injusto ter respostas sem perguntas. Mas os pedaços de pão que lanças todas as manhãs aos cisnes fazem-me pensar um pouco. Acho que talvez seja um livro ou um filme. Vi algo assim nalgum lugar. Lembro-me vagamente do meu filme favorito, era doce e romântico. Partilhei cada momento dele com a minha mulher. Pensar nela leva-me a uma calma dentro deste corpo vagabundo que já não consegue fazer muito mais. Este corpo tornou-se recipiente de uma alma que aguarda apenas o seu fim.
Antigamente escrevia cartas de amor. Numa outra era, eu fazia nascer histórias, ajudava quem necessitava e diziam que tinha queda para isso. O que sempre me interessou foi realmente o verdadeiro amor. Tenho 78 anos e procuro ainda uma razão para esse sentimento. Procuro saber o que realmente é porque, apesar de tudo, foi uma busca que nunca me deu grandes respostas. Tudo se tornou tão incerto num certo momento.
Neste momento, sinto vontade de me sentar com ela. Acho que lhe vou pedir para me juntar a ela se não se importar. Espero que não se importe mesmo. É bonita e volto a frisar que gosto de a ver por ali.
Sem rodeios pergunto-lhe se me posso juntar a ele ao que me responde com um sorriso. Espero ter causado boa impressão, não quero que ela pense que sou um velho desajeitado que vagueia por aí, mas, talvez seja mesmo isso.
Enquanto ela continua a lançar pedaços de pão para os cisnes que me olham com ciúmes, um olhar de fúria mostrando o medo que lhes roube algum pedaço, pelo que me decido em permanecer sossegado naquele banco do parque.
Quando ela termina vira-se para mim e sorri mais uma vez. Levanta-se e prepara-se para me abandonar, foi simpática apesar de não trocar grandes palavras. No entanto, regressa e diz-me:
“Podes-te não lembrar de mim, podes ter esquecido tudo o que já viveste e todo o teu passado, mas se recordares aqui a mulher que tens retém somente uma coisa, amo-te muito e nunca te vou abandonar.”
[Foto by Aliska]
desprendem um sorriso. Esse sorriso maravilhoso a que te acostumaste e aprendeste a viver.Na inquietude dum lago, soubeste escolher o melhor lugar para teres a melhor paisagem. Saboreias cada pedaço de sol e olhar-te dá-me a sensação de que te conheço de algum lado.
É incerto saber onde e o porquê, é injusto ter respostas sem perguntas. Mas os pedaços de pão que lanças todas as manhãs aos cisnes fazem-me pensar um pouco. Acho que talvez seja um livro ou um filme. Vi algo assim nalgum lugar. Lembro-me vagamente do meu filme favorito, era doce e romântico. Partilhei cada momento dele com a minha mulher. Pensar nela leva-me a uma calma dentro deste corpo vagabundo que já não consegue fazer muito mais. Este corpo tornou-se recipiente de uma alma que aguarda apenas o seu fim.
Antigamente escrevia cartas de amor. Numa outra era, eu fazia nascer histórias, ajudava quem necessitava e diziam que tinha queda para isso. O que sempre me interessou foi realmente o verdadeiro amor. Tenho 78 anos e procuro ainda uma razão para esse sentimento. Procuro saber o que realmente é porque, apesar de tudo, foi uma busca que nunca me deu grandes respostas. Tudo se tornou tão incerto num certo momento.
Neste momento, sinto vontade de me sentar com ela. Acho que lhe vou pedir para me juntar a ela se não se importar. Espero que não se importe mesmo. É bonita e volto a frisar que gosto de a ver por ali.
Sem rodeios pergunto-lhe se me posso juntar a ele ao que me responde com um sorriso. Espero ter causado boa impressão, não quero que ela pense que sou um velho desajeitado que vagueia por aí, mas, talvez seja mesmo isso.
Enquanto ela continua a lançar pedaços de pão para os cisnes que me olham com ciúmes, um olhar de fúria mostrando o medo que lhes roube algum pedaço, pelo que me decido em permanecer sossegado naquele banco do parque.
Quando ela termina vira-se para mim e sorri mais uma vez. Levanta-se e prepara-se para me abandonar, foi simpática apesar de não trocar grandes palavras. No entanto, regressa e diz-me:
“Podes-te não lembrar de mim, podes ter esquecido tudo o que já viveste e todo o teu passado, mas se recordares aqui a mulher que tens retém somente uma coisa, amo-te muito e nunca te vou abandonar.”
[Foto by Aliska]
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O Rapaz que amava crianças
- Olha lá! Tu tiraste alguma formação para lidar
com as crianças ou aprendeste tudo isso nalgum sítio?
- Não, simplesmente já nasci assim. Gosto daquilo que as crianças me dão.
A questão não o incomodara. Era apenas mágico ver um segundo do seu tempo. Ele não brincava com as crianças, ele fazia parte do seu mundo, do seu sorriso. As tardes incansáveis de mão dada e sempre ao lado daquele miúdo que se vê no seu mundo repleto de liberdade. Por mais repetitivo, nada o demovia. Um sorriso e realizava tudo de novo. Para os mais novos era “só mais uma vez” e para ele era encher os pulmões num só suspiro e respirar uma tremenda alegria. Só esta que eles podem dar.
Os olhos da inocência são bravos e cúmplices de uma plenitude universal. Inocentes no sentido lato de um refúgio seguro contra bombas e pandemias.
- Tu és especial!
Não havia resposta. Apenas o sorriso devolvido ao avô que vê o seu neto tão divertido como nunca.
Quando, por fim, a conclusão se torna “não quero mais” ele sorri e fica surpreso quando recebe um abraço inesperado. É o obrigado por fazer parte do seu mundo e aí, sente-se amado.
No fim, o que é que as crianças lhe davam? ALEGRIA, como mais ninguém pode dar.
[Foto by Dancretul]
com as crianças ou aprendeste tudo isso nalgum sítio?- Não, simplesmente já nasci assim. Gosto daquilo que as crianças me dão.
A questão não o incomodara. Era apenas mágico ver um segundo do seu tempo. Ele não brincava com as crianças, ele fazia parte do seu mundo, do seu sorriso. As tardes incansáveis de mão dada e sempre ao lado daquele miúdo que se vê no seu mundo repleto de liberdade. Por mais repetitivo, nada o demovia. Um sorriso e realizava tudo de novo. Para os mais novos era “só mais uma vez” e para ele era encher os pulmões num só suspiro e respirar uma tremenda alegria. Só esta que eles podem dar.
Os olhos da inocência são bravos e cúmplices de uma plenitude universal. Inocentes no sentido lato de um refúgio seguro contra bombas e pandemias.
- Tu és especial!
Não havia resposta. Apenas o sorriso devolvido ao avô que vê o seu neto tão divertido como nunca.
Quando, por fim, a conclusão se torna “não quero mais” ele sorri e fica surpreso quando recebe um abraço inesperado. É o obrigado por fazer parte do seu mundo e aí, sente-se amado.
No fim, o que é que as crianças lhe davam? ALEGRIA, como mais ninguém pode dar.
[Foto by Dancretul]
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Último Minuto
Vinham aquelas quatro pessoas, almas de uma vida académica, depois de uma outra noite passada ao som de meia dúzia de indivíduos que tiveram a ideia de formar uma banda.
Silvana, Gabriela, Mel e Martim, atravessam no momento a ponte de Santa Clara entre conversas acesas sobre uma vida tão intensa como vive um jovem estudante. Partilhando as ideias quentes e confusas, provenientes de uma idade tão perspicaz aos impulsos.
Sem ninguém se aperceber, Mel e Martim iam trocando olhares. Depois de uma noite eterna entre sorrisos e toques, eles ligavam-se cada vez mais.
Conversas a fio e tantas horas que se perderam no tempo, todas essas que moldaram aquela especial ligação entre eles.
Sem notarem e distraídos, Martim ia na frente e nem sequer estava a ligar onde estava. Quando dão conta, estavam todos no meio da estrada, em pleno largo da portagem e um carro colhe Martim. Tudo aconteceu tão rápido que nem houve tempo de se pensar como é que aquilo aconteceu.
As pernas voaram-lhe por cima do corpo que embateu contra o vidro dianteiro, o automóvel ficou estilhaçado e o condutor inconsciente. Martim foi projectado a uns 3 metros e ficou inanimado.
As três companheiras dele entraram em pânico, chamaram o INEM e rapidamente ele estava a receber os primeiros socorros. Entre lágrimas e sustos, estavam as três tremendamente assustadas.
Quando se preparavam para levar o Martim para o Hospital, a Silvana decide ir com ele. Contudo, é Mel que lhe diz que não.
- Não, tu não vais, vou eu. Neste momento se ele precisa de alguém sou eu.
Silvana sem nada dizer, consente e deixa-a ir.
- Desculpe! Mas ele só pode ser acompanhado por familiares…
Sem deixar o paramédico acabar ela responde sobrepondo as palavras.
- Sim, sou a namorada dele. - Não era, mas sabia que só assim podia ir com ele e acompanha-lo.
Depois de ter entrado e o ter visto, as lágrimas voltam a percorrer-lhe a face, vendo ali aquele pobre corpo debilitado. Por momentos recupera os sentidos, cheio de dores sorri quando a vê, pega-lhe na mão e diz:
- Amo-te Mel!
Volta a desmaiar. Perde os sentidos enquanto ela o acompanha entre choros e recordações.
(3 dias depois)
- Se quiseres ir para casa vai, eu fico aqui com ele. – Palavras da sua amiga Gabriela que a tinha visto ali nos três dias que passaram.
- Não, eu quero ficar. Eu quero estar ao lado dele quando ele acordar, ele precisa de mim, e ele vai querer que eu aqui esteja.
- Ele vai compreender se tu não estiveres aqui, não te vai culpar por nada.
- Mas eu quero ficar. Enquanto ele não acordar, eu não saio daqui.
A Gabriela, tal como a Silvana, faziam as visitas habituais. Tentavam saber novidades e iam vê-lo sempre que possível. Já Mel, tinha ficado com ele aquele tempo todo. Tinha a vontade de lhe dar aquilo que ele lhe deu, força de acreditar.
Por vezes, as forças esgotavam-se, os olhos pesavam e ela deixava-se dormir. Cansada, encostava-se ao sofá que ficava ao lado da cama de Martim.
Estava Mel a dormir, quando ele abre os olhos. Primeiro tentou perceber o que se passava e onde estava, até que se lembrou do acidente, mas tudo foi esquecido quando a viu. Deixou escapar um sorriso tão grande e acomodou-se na cama, ficando a olha-la.
Era tão mágico vê-la dormir, parecia um anjo que formava palavras doces para tornar o mundo das pessoas um mundo maravilhoso.
Ela vai despertando e ele sorrindo cada vez mais, até que se depara que ele já está mesmo acordado e com um salto descola do sofá e vai ter com ele.
- Olá Mel!
- Martim, acordaste! Estás bem, está tudo bem contigo?
- Sim, nunca me senti melhor!
- Desculpa ter sido parva todo este tempo…eu também te amo.
Beijaram-se e ali começou a história de mais um amor eterno. Por vezes é preciso sentir que se está a viver o último minuto para se dizer que se ama às pessoas de quem amamos.
Silvana, Gabriela, Mel e Martim, atravessam no momento a ponte de Santa Clara entre conversas acesas sobre uma vida tão intensa como vive um jovem estudante. Partilhando as ideias quentes e confusas, provenientes de uma idade tão perspicaz aos impulsos.
Sem ninguém se aperceber, Mel e Martim iam trocando olhares. Depois de uma noite eterna entre sorrisos e toques, eles ligavam-se cada vez mais.
Conversas a fio e tantas horas que se perderam no tempo, todas essas que moldaram aquela especial ligação entre eles.
Sem notarem e distraídos, Martim ia na frente e nem sequer estava a ligar onde estava. Quando dão conta, estavam todos no meio da estrada, em pleno largo da portagem e um carro colhe Martim. Tudo aconteceu tão rápido que nem houve tempo de se pensar como é que aquilo aconteceu.
As pernas voaram-lhe por cima do corpo que embateu contra o vidro dianteiro, o automóvel ficou estilhaçado e o condutor inconsciente. Martim foi projectado a uns 3 metros e ficou inanimado.
As três companheiras dele entraram em pânico, chamaram o INEM e rapidamente ele estava a receber os primeiros socorros. Entre lágrimas e sustos, estavam as três tremendamente assustadas.
Quando se preparavam para levar o Martim para o Hospital, a Silvana decide ir com ele. Contudo, é Mel que lhe diz que não.
- Não, tu não vais, vou eu. Neste momento se ele precisa de alguém sou eu.
Silvana sem nada dizer, consente e deixa-a ir.
- Desculpe! Mas ele só pode ser acompanhado por familiares…
Sem deixar o paramédico acabar ela responde sobrepondo as palavras.
- Sim, sou a namorada dele. - Não era, mas sabia que só assim podia ir com ele e acompanha-lo.
Depois de ter entrado e o ter visto, as lágrimas voltam a percorrer-lhe a face, vendo ali aquele pobre corpo debilitado. Por momentos recupera os sentidos, cheio de dores sorri quando a vê, pega-lhe na mão e diz:
- Amo-te Mel!
Volta a desmaiar. Perde os sentidos enquanto ela o acompanha entre choros e recordações.
(3 dias depois)
- Se quiseres ir para casa vai, eu fico aqui com ele. – Palavras da sua amiga Gabriela que a tinha visto ali nos três dias que passaram.
- Não, eu quero ficar. Eu quero estar ao lado dele quando ele acordar, ele precisa de mim, e ele vai querer que eu aqui esteja.
- Ele vai compreender se tu não estiveres aqui, não te vai culpar por nada.
- Mas eu quero ficar. Enquanto ele não acordar, eu não saio daqui.
A Gabriela, tal como a Silvana, faziam as visitas habituais. Tentavam saber novidades e iam vê-lo sempre que possível. Já Mel, tinha ficado com ele aquele tempo todo. Tinha a vontade de lhe dar aquilo que ele lhe deu, força de acreditar.
Por vezes, as forças esgotavam-se, os olhos pesavam e ela deixava-se dormir. Cansada, encostava-se ao sofá que ficava ao lado da cama de Martim.
Estava Mel a dormir, quando ele abre os olhos. Primeiro tentou perceber o que se passava e onde estava, até que se lembrou do acidente, mas tudo foi esquecido quando a viu. Deixou escapar um sorriso tão grande e acomodou-se na cama, ficando a olha-la.
Era tão mágico vê-la dormir, parecia um anjo que formava palavras doces para tornar o mundo das pessoas um mundo maravilhoso.
Ela vai despertando e ele sorrindo cada vez mais, até que se depara que ele já está mesmo acordado e com um salto descola do sofá e vai ter com ele.
- Olá Mel!
- Martim, acordaste! Estás bem, está tudo bem contigo?
- Sim, nunca me senti melhor!
- Desculpa ter sido parva todo este tempo…eu também te amo.
Beijaram-se e ali começou a história de mais um amor eterno. Por vezes é preciso sentir que se está a viver o último minuto para se dizer que se ama às pessoas de quem amamos.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Conversas ao fim da tarde
Era uma rotina apegada aos dois. Jonathan fazia a sua corrida no fim de tarde, era um atleta alto cheio de alegria por ser um desportista que tinha prazer naquilo que fazia. Para ele um dia sem algo que o fizesse mudar o ritmo da vida quotidiana, era um dia fracassado. Já Sofia era mais selectiva e calma, gostava de passear e dar atenção ao seu Samoiedo que lhe dava o nome de Ветерок (significa brisa em russo).
Eram dois amigos que se conheceram na sua infância, amigos que o destino lhes deu a sorte de os abençoar com a frase “para sempre”.
O final de semana havia chegado e o sol brilhava naquele sábado que ambos estavam desocupados. Sofia lá foi com o Ветерок para o parque e o Jonathan lá saiu de casa com o seu passo em corrida para fazer mais um pouco de exercício. Era inevitável que se encontrassem ali mais uma vez. Tinha sido uma constante nos últimos dias. Sem nada combinarem, encontravam-se ironicamente nos locais mais impensáveis.
Quando Sofia chegou ao parque, sentou-se na relva e soltou Ветерок para que este pudesse andar livremente com a sua energia retido durante dias sem sair. Uma correria de um lado para o outro, a força que os cães possuem mal sejam soltos.
Ainda nova, queria brincar, Sofia trazia sempre uma bola de borracha amarela que lhe atirava e o Samoiedo ia buscar.
De súbito, o cão parou e fugiu de Sofia, mas ela nem ligou. Vinha Jonathan na sua corrida normal quando vê Ветерок aproximar-se e saltar para cima de si. Ele abrandou e verificou a coleira, viu o nome e certificou-se que era quem pensava. Fez-lhe uma festa nas orelhas e olhou em volta à procura de Sofia.
Dirigiu-se até ela acompanhado pelo seu cão.
- Encontrei aqui uma bola de pelo branco, calculei que estivesses aqui!
- Olá Jonathan, por aqui também? Não esperava nada ver-te.
Enquanto os dois conversavam sobre o habitual, Jonathan atirava a bola amarela para Ветерок ir buscar. O Samoiedo gostava imenso dele e ele era muito simpático também.
Quando se sentiu cansado, deixou cair a bola aos pés do rapaz em vez de lha entregar na mão. Deitou-se ao pé dele com o focinho nas suas pernas e ele, como sempre, fazia-lhe festas na cabeça.
- Ele gosta muito de ti. – Disse Sofia.
- E tu, gostas de mim?
Após alguns minutos de reflexão e ter o olhar preso ao dele, Sofia responde:
- Gosto!
[ Foto by Another Broken Dream ]
Eram dois amigos que se conheceram na sua infância, amigos que o destino lhes deu a sorte de os abençoar com a frase “para sempre”.
O final de semana havia chegado e o sol brilhava naquele sábado que ambos estavam desocupados. Sofia lá foi com o Ветерок para o parque e o Jonathan lá saiu de casa com o seu passo em corrida para fazer mais um pouco de exercício. Era inevitável que se encontrassem ali mais uma vez. Tinha sido uma constante nos últimos dias. Sem nada combinarem, encontravam-se ironicamente nos locais mais impensáveis.

Quando Sofia chegou ao parque, sentou-se na relva e soltou Ветерок para que este pudesse andar livremente com a sua energia retido durante dias sem sair. Uma correria de um lado para o outro, a força que os cães possuem mal sejam soltos.
Ainda nova, queria brincar, Sofia trazia sempre uma bola de borracha amarela que lhe atirava e o Samoiedo ia buscar.
De súbito, o cão parou e fugiu de Sofia, mas ela nem ligou. Vinha Jonathan na sua corrida normal quando vê Ветерок aproximar-se e saltar para cima de si. Ele abrandou e verificou a coleira, viu o nome e certificou-se que era quem pensava. Fez-lhe uma festa nas orelhas e olhou em volta à procura de Sofia.
Dirigiu-se até ela acompanhado pelo seu cão.
- Encontrei aqui uma bola de pelo branco, calculei que estivesses aqui!
- Olá Jonathan, por aqui também? Não esperava nada ver-te.
Enquanto os dois conversavam sobre o habitual, Jonathan atirava a bola amarela para Ветерок ir buscar. O Samoiedo gostava imenso dele e ele era muito simpático também.
Quando se sentiu cansado, deixou cair a bola aos pés do rapaz em vez de lha entregar na mão. Deitou-se ao pé dele com o focinho nas suas pernas e ele, como sempre, fazia-lhe festas na cabeça.
- Ele gosta muito de ti. – Disse Sofia.
- E tu, gostas de mim?
Após alguns minutos de reflexão e ter o olhar preso ao dele, Sofia responde:
- Gosto!
[ Foto by Another Broken Dream ]
sábado, 2 de janeiro de 2010
Boneco de Neve
- Olha mãe, está a nevar!
O mês de Janeiro era suspeito para mais um forte nevão, nada a que não estivesse habituado mas o pequeno Salvador queria um lugar no seu quintal, queria poder fazer aquele boneco de neve que nunca fez.
- Posso ir lá para fora?
- Podes filho, tem cuidado!
O pequeno saiu a correr com as luvas na mão ainda por calçar, e foi directo para baixo daquele forte nevão de um Inverno saudável como tantos que vivera. Voltava a juntar todos os flocos que enchiam o chão e o cobriam de um branco puro, um branco igual ao do vestido de noiva que a mãe tinha guardado do seu casamento, igual à pomba que vira no zoológico e que adorou, igual ao papagaio branco que tem em casa e que adora ensinar-lhe coisas novas.
Aos poucos e poucos foi construindo um monte que começou a ganhar forma, aos poucos o seu quintal ia ficando sem neve e o boneco ia ganhando vida.
Cada floco na sua face lhe fazia soltar um espirro, está a ficar constipado, mas queria demais aquele boneco.
A mãe veio para o alpendre e sentou-se nas escadas. Ficou a ver o seu querido filho em busca de neve e mais neve, perdido numa aventura que mais tarde se iria desvanecer.
Pouco tempo depois o boneco estava pronto, duas pedras e uma cenoura, dois galhos e “voilá”, terminava de fazer mais um boneco.
Cansado e satisfeito dirigiu-se para a mãe, sentou-se ao pé dela e com os seus 5 anos perguntou:
- Está feito, gostas?
- Gosto muito, parabéns, mais uma vez esmeraste-te.
- Obrigado, tu sabes porque o faço…podes-me contar como foi?
- Porque queres saber?
- Sinto falta dele.
- Também eu.
- Contas-me?
- A neve pode ser muito perigosa, eu e ele vínhamos de um jantar da empresa onde trabalhava, tu tinhas ficado em casa da avó e estávamos de regresso, mas, uma curva, um momento, um segundo, fez com que o carro fosse embater numa árvore, eu sobrevivi.
- Obrigado, isto alivia-te?
- Um pouco, se vivo, tu és a razão.
- O boneco era para o pai.
- Eu sei, se ele aqui estivesse, teria muito orgulho em ti.
As lágrimas percorreram o rosto de ambos mas o boneco ficou ali, o boneco era os olhos do pai, orgulhoso de ver as duas pessoas que mais amava, quando ouviu o Salvador dizer.
- Pai onde quer que estejas, amo-te muito e sinto a tua falta.
[ Foto by Elmo Head ]
O mês de Janeiro era suspeito para mais um forte nevão, nada a que não estivesse habituado mas o pequeno Salvador queria um lugar no seu quintal, queria poder fazer aquele boneco de neve que nunca fez.
- Posso ir lá para fora?
- Podes filho, tem cuidado!
O pequeno saiu a correr com as luvas na mão ainda por calçar, e foi directo para baixo daquele forte nevão de um Inverno saudável como tantos que vivera. Voltava a juntar todos os flocos que enchiam o chão e o cobriam de um branco puro, um branco igual ao do vestido de noiva que a mãe tinha guardado do seu casamento, igual à pomba que vira no zoológico e que adorou, igual ao papagaio branco que tem em casa e que adora ensinar-lhe coisas novas.
Aos poucos e poucos foi construindo um monte que começou a ganhar forma, aos poucos o seu quintal ia ficando sem neve e o boneco ia ganhando vida.
Cada floco na sua face lhe fazia soltar um espirro, está a ficar constipado, mas queria demais aquele boneco.
A mãe veio para o alpendre e sentou-se nas escadas. Ficou a ver o seu querido filho em busca de neve e mais neve, perdido numa aventura que mais tarde se iria desvanecer.
Pouco tempo depois o boneco estava pronto, duas pedras e uma cenoura, dois galhos e “voilá”, terminava de fazer mais um boneco.
Cansado e satisfeito dirigiu-se para a mãe, sentou-se ao pé dela e com os seus 5 anos perguntou:
- Está feito, gostas?
- Gosto muito, parabéns, mais uma vez esmeraste-te.

- Obrigado, tu sabes porque o faço…podes-me contar como foi?
- Porque queres saber?
- Sinto falta dele.
- Também eu.
- Contas-me?
- A neve pode ser muito perigosa, eu e ele vínhamos de um jantar da empresa onde trabalhava, tu tinhas ficado em casa da avó e estávamos de regresso, mas, uma curva, um momento, um segundo, fez com que o carro fosse embater numa árvore, eu sobrevivi.
- Obrigado, isto alivia-te?
- Um pouco, se vivo, tu és a razão.
- O boneco era para o pai.
- Eu sei, se ele aqui estivesse, teria muito orgulho em ti.
As lágrimas percorreram o rosto de ambos mas o boneco ficou ali, o boneco era os olhos do pai, orgulhoso de ver as duas pessoas que mais amava, quando ouviu o Salvador dizer.
- Pai onde quer que estejas, amo-te muito e sinto a tua falta.
[ Foto by Elmo Head ]
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Amigos com o tempo
Novo rumo, lá ia o velho a descer pela calçada, lá ia mais uma sem guarda-chuva no meio daquele temporal que se estendia lá fora, mas o melhor, são dois amigos, que o tempo os juntou.Nunca se intitularam como grandes pessoas, como indispensáveis, porque na verdade todos podemos viver uns sem os outros, mas também precisamos deles, de vez em quando.
Mas estes dois, viveram o que o tempo lhes deu, tornaram-se amigos na escola, crianças, plenas de energia e espírito, foram crescendo conforme a vida lhes deixava.
Começaram a partilhar muita coisa, a mesa de escola, a estar com os mesmos amigos, a combinar brincadeiras e tardes em que ambos participavam. Um mar de coisas, que diga-se, normal de duas crianças que se conhecem e vivem no mesmo mundo.
Aliás, é a história de um rapaz certinho e de um rapaz fora de linha. Um que tirava boas notas, tinha apenas o percurso casa - escola, enfim, era daqueles alunos que qualquer pai se orgulhava. Do outro lado um rapaz, que pouco estudava, queria era brincadeira, perder um fim-de-semana, não para o estudo mas sim, para divertimento, adrenalina, sempre no bom da vida.
Que bela junção! Começou por ganhar o lado mais óbvio, o lado da brincadeira, que não lhe chamo lado do mal, aliás, é um dos melhores lados na infância, tanto que começou a desviar-se dos estudos. As notas começaram a ter o seu valor e acréscimo, começou a ligar menos ao estudo e inclusive, os dois foram expulsos duma aula.
Era a primeira expulsão do rapaz bem comportado. Como foi isto acontecer? Mas ele nem se interessou por isso, estava a gostar tanto da coisa que nem ligou.
Pode-se dizer que com o tempo, passaram-se anos, por volta de 3 anos, e ele cresceu, conseguiu conciliar tudo, chegando a uma certa idade que sabia comportar com os dois lados, e isso devia ao seu amigo, que lhe mostrou o mundo da brincadeira, o mundo do bem estar. Apesar de tudo, foi bom.
Mas ele continuava igual, continuava apenas na brincadeira, e acabaria por reprovar um ano, dois. Muito complicado.
Um dia, parece que se fez luz, continuavam amigos, nunca o deixaram de ser, nem vão deixar, mas naquele dia algo foi diferente.
Conversa e mais conversa, como faziam sempre nas suas caminhadas para a escola, algo dito por ele, de quem não se esperava, começava a gostar de um determinado tipo de música e isto e aquilo. Bem sei que isso não é grande coisa, mas era música romântica, algo que não era nada normal, começou-se a notar uma nova pessoa nele, um crescer de alguém mais maduro.
Como foi bom, um sorriso para o seu amigo, que pensava que o caso estava perdido e afinal, não! Anos e anos, começou a estudar a tirar melhores notas, a lutar para avançar e não como antigamente, esperando que os outros lhe pudessem ajudar.
Já era bom, alguém se tornar nisso, é muito bom, fazia sentir o seu amigo bem, porque sabia que tinha crescido, sabia que estava agora uma pessoa responsável, depositando outro tipo de confiança.
Surpreendente, no dia em que tudo ficou inacreditável para o seu amigo. Ver que ele estava apaixonado, mas não era uma simples atracção como tantas outras na vida, mas sim, algo que o seu amigo já tinha passado e sentido, que agora era a sua vez de passar por essa situação.
Saber disso, e ouvir aquilo dele fez-lhe sentir um enorme orgulho. Um orgulho de amigos que nunca se consideraram, amigos do peito, amigos prontos para enfrentar o mundo, mas o tempo teve o privilégio de fazer com que isso acontecesse.
Afinal, estavam a enfrentar a chuva juntos, como grandes amigos, batalhando contra o tempo, batalhando tudo que os rodeava, contando um ao outro suas aventuras.
[Foto by Shiper]
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
O Encontro
Antes de lerem a história que se segue, é util reter conhecimento sobre o texto abaixo mencionado.
As Estrelas
Nos seus pensamentos, Kevin, percorria toda a cidade, tudo que é sitio, só para poder estar, ver e
sentir aquele alguém.
Sente-se confuso, não sabe o que lhe diz o seu coração, sente-se dividido entre o amar, e o não querer entrar em aventuras, entre um grande momento e a desilusão de vida. Mas o pensamento não foge à verdade.
Certo dia, estava ele com seus amigos, situávamo-nos na altura das festas da Cidade, ambiente de festa e alegria e muito divertimento, muito gente durante esses dias, mais ainda, "barracas dos índios", a tentar vender todas aquelas coisas desde incenso a pulseiras e colares. Assim, como de habitual, vai com o seu grupo de amigos fazendo paragem na mesma esplanada de sempre, um fino, coisas da normalidade.
Só que, algo foge à normalidade, alguém se chega e invade o seu tempo, entregando um bilhete, situação estranha. Muito vagarosamente com alguns na expectativa de saber, abre o bilhete que diz:
- Vai ter ao local onde se pode ver o mundo, ao local onde as estrelas estão sobre ti, alguém estará lá para aprender o segredo da noite.
Admirado com a situação guarda o bilhete e com um sorriso levanta-se, alguém pergunta onde vai, ao qual responde que vai ver as estrelas. Sempre a mesma boa disposição de sempre.
Devagar vai caminhando, eles não se encontravam longe desse local, ele vai olhando, fugindo às luzes, pois aquele lugar não possui praticamente luz nenhuma.
No meio daquela situação, lá aparece a menina do bilhete. Era a Lara, ficou muito surpreso, mas muito feliz pelo acontecimento.
Os cumprimentos de sempre, e desenvolve-se um diálogo entre eles:
- Não sei o que dizer! - Kevin admirado.
- Só precisas de falar acerca das estrelas.
Pois lá teve de explicar aquilo que já vos foi transmitido, o que significam as estrelas, a vida que há entre elas e a ligação para com a humanidade.
- Tão interessante, nunca me teria passado pela cabeça tal situação, é necessário ter uma imaginação muito boa! - Reflecte Lara após toda aquela explicação.
- Isso não é só mérito meu, alguém de quem gostei muito ensinou-me tudo isto das estrelas, o resto veio por acréscimo.
A conversa ia desenrolando, o clima ficando propicio a que tudo fosse possível, mais coisa menos coisa, beijam-se, algo corre pelas veias de Kevin, sente algo que só havia sentido uma única vez, e pode-se dizer que foi mesmo paixão.
Era sem dúvida, um momento que qualquer um gostaria de viver, sentir na pele toda aquela felicidade e bondade daquele momento.
De repente como de jeito de um "clack", estávamos de dia, ele dormia na sua cama, no seu quarto, ou seja, tudo aquilo não passava de um sonho, não passava de uma ilusão, mas foi bom porque deu a entender qualquer coisa.
Um encontro repentino, uma situação que causa princípios de mistério, são coisas que adora que lhe façam.
[Foto by Cavalera]
As Estrelas
Nos seus pensamentos, Kevin, percorria toda a cidade, tudo que é sitio, só para poder estar, ver e
sentir aquele alguém.Sente-se confuso, não sabe o que lhe diz o seu coração, sente-se dividido entre o amar, e o não querer entrar em aventuras, entre um grande momento e a desilusão de vida. Mas o pensamento não foge à verdade.
Certo dia, estava ele com seus amigos, situávamo-nos na altura das festas da Cidade, ambiente de festa e alegria e muito divertimento, muito gente durante esses dias, mais ainda, "barracas dos índios", a tentar vender todas aquelas coisas desde incenso a pulseiras e colares. Assim, como de habitual, vai com o seu grupo de amigos fazendo paragem na mesma esplanada de sempre, um fino, coisas da normalidade.
Só que, algo foge à normalidade, alguém se chega e invade o seu tempo, entregando um bilhete, situação estranha. Muito vagarosamente com alguns na expectativa de saber, abre o bilhete que diz:
- Vai ter ao local onde se pode ver o mundo, ao local onde as estrelas estão sobre ti, alguém estará lá para aprender o segredo da noite.
Admirado com a situação guarda o bilhete e com um sorriso levanta-se, alguém pergunta onde vai, ao qual responde que vai ver as estrelas. Sempre a mesma boa disposição de sempre.
Devagar vai caminhando, eles não se encontravam longe desse local, ele vai olhando, fugindo às luzes, pois aquele lugar não possui praticamente luz nenhuma.
No meio daquela situação, lá aparece a menina do bilhete. Era a Lara, ficou muito surpreso, mas muito feliz pelo acontecimento.
Os cumprimentos de sempre, e desenvolve-se um diálogo entre eles:
- Não sei o que dizer! - Kevin admirado.
- Só precisas de falar acerca das estrelas.
Pois lá teve de explicar aquilo que já vos foi transmitido, o que significam as estrelas, a vida que há entre elas e a ligação para com a humanidade.
- Tão interessante, nunca me teria passado pela cabeça tal situação, é necessário ter uma imaginação muito boa! - Reflecte Lara após toda aquela explicação.
- Isso não é só mérito meu, alguém de quem gostei muito ensinou-me tudo isto das estrelas, o resto veio por acréscimo.
A conversa ia desenrolando, o clima ficando propicio a que tudo fosse possível, mais coisa menos coisa, beijam-se, algo corre pelas veias de Kevin, sente algo que só havia sentido uma única vez, e pode-se dizer que foi mesmo paixão.
Era sem dúvida, um momento que qualquer um gostaria de viver, sentir na pele toda aquela felicidade e bondade daquele momento.
De repente como de jeito de um "clack", estávamos de dia, ele dormia na sua cama, no seu quarto, ou seja, tudo aquilo não passava de um sonho, não passava de uma ilusão, mas foi bom porque deu a entender qualquer coisa.
Um encontro repentino, uma situação que causa princípios de mistério, são coisas que adora que lhe façam.
[Foto by Cavalera]
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Never Give Up (Nunca Desistas)
New York, Abril de 1996, um rapaz passeava como sempre fazia todos os dias, passeava por aqueles jardins, cheios de calma, de alegria, um harmonia nova se podia respirar sempre que lá se passava.Confundindo-se no meio das sombras que aquele enormes prédios que se erguiam perante os céus desafiando o limite vertical, causava locais que são desconhecidos por grande parte da sociedade que lá habita.
Era a paisagem de sempre, turistas de todo o mundo, a famosa rua tanto conhecida, cheia daqueles enormes ecrãs, de publicidade ou noticias, ou até mesmo anúncios de espectáculos. É assim aquela cidade, onde nem as pessoas dizem olá, e onde nem metade se conhece.
É uma confusão enorme ver tudo aquilo, mas para o garoto, aquilo é a sua casa, é ali que vive, é ali que vai passar o resto da vida.
Mas, ao virar de uma esquina, um dos becos que não conhecia, um dos becos considerados perigosos, onde não se deve entrar, ele arriscou, decidiu inspeccionar e tentar saber o que se passaria lá.
Ficou surpreendido, não encontrou nada mais que um velho mendigo, um velho de aparência rude, notando-se facialmente o peso da idade e a experiência que tinha com a vida.
Claro, apenas o velho porque era dia, o perigo encontra-se à noite, o que não quer dizer que não se encontre de dia também, mas vocês percebem.
Sem medo e destemido, sentou-se ao pé daquela figura e cumprimentou-o com um simples “Hi”, mas não obteve resposta.
Tentou puxar conversa, mas não o fez como um ser comum faria, não lhe perguntou nada, não disse nada que atingisse o velhote directamente. Falou simplesmente de si, falou do que era a sua vida, falou de como passava os dias, até que a certo momento ouve, uma voz fraca e rouca.
- Bons esses tempos que a idade nos leva, bons os momentos que descreves como um mar azul, infeliz o futuro negro e cruel.
- Mas, porque é que lhe aconteceu isto?
- Era o futuro, era a minha vida, nós fazemos da vida aquilo que queremos, e eu tomei a decisão errada.
- Mas ainda vai a tempo de mudar, não?
- Como?!
- Conte-me a sua história, se possível!
- A minha história é aquilo que vês, a história das pessoas está sempre expressa no corpo e na vida delas, só temos de saber como desvendar os sinais e saberemos tudo acerca dessa pessoa.
- Então, posso-lhe dizer, que ainda vai a tempo de seguir o caminho certo, e deixar o lado errado, levante-se e arranje-se, procure trabalho, claro, nada de grande luxo, mas com o tempo, poderá subir na vida, e ser um ser humano com distintas qualidades.
O velho levantou-se e foi embora. O rapaz, sorriu, deixou aquele lugar e um dia mais tarde, num noticiário viu um colaborador de uma empresa dando uma simples entrevista, era uma cara conhecida, claro, não iria esquecer aquele rosto.
O senhor com quem tinha falado estava agora ali, de smoking, discursando tão bem que parecia um diplomata.
Aprenderam os dois, que nunca é tarde de mais para resolver os problemas da vida, nunca é tarde de mais para mudar. Desde que não se deixe de lutar na vida, tudo terá uma razão de ser.
[Foto by Frederik Justesen]
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Gestos
Tu tens os dias contados, meu velho amigo. Hoje, estás aqui sentado comigo, debaixo deste sobreiro, amanhã, estarás aqui a dizer isto a outro rapaz que terá a tua idade neste momento.
Tens quantos? Dez, nove, onze…não interessa, tens os que tens! Mas pensa, para aqui virás.
Passei o que tu passaste, vivi o que viveste, sorri o que tu sorriste, chorei as minha emoções e tu, tens feito alguma coisa da vida?
Cá para mim, tens deixado que a vida te leve, que tenhas o mesmo de sempre, escola, casa, amigos, aquele café do costume. Mas, que fazes tu quando és livre?
Lês? Reflectes? Importas-te com cultura?
Que fazes aqui sentado sem nada fazer? Estás a perder tempo para quê?
A vida é um minuto que passa num fôlego, há pessoas que sustém esse fôlego por mais tempo e aguentam mais, outras que não aguentam tanto e foi assim que fiquei sem a minha Maria.
Ela era tão bonita na tua altura, quando eu tinha a tua idade, ela era um espanto, e eu era um rapagão, devias ver.
Mas jovem, que fazes aqui? O que te leva a estares aqui sem viveres a tua vida e a desperdiçar a oportunidade de começar um novo rumo ou quem sabe de construíres a pista para uma nova meta, diz-me, o que fazes aqui?
Avô! Vim vê-lo no dia dos seus anos, Parabéns!
Tens quantos? Dez, nove, onze…não interessa, tens os que tens! Mas pensa, para aqui virás.
Passei o que tu passaste, vivi o que viveste, sorri o que tu sorriste, chorei as minha emoções e tu, tens feito alguma coisa da vida?
Cá para mim, tens deixado que a vida te leve, que tenhas o mesmo de sempre, escola, casa, amigos, aquele café do costume. Mas, que fazes tu quando és livre?
Lês? Reflectes? Importas-te com cultura?
Que fazes aqui sentado sem nada fazer? Estás a perder tempo para quê?
A vida é um minuto que passa num fôlego, há pessoas que sustém esse fôlego por mais tempo e aguentam mais, outras que não aguentam tanto e foi assim que fiquei sem a minha Maria.
Ela era tão bonita na tua altura, quando eu tinha a tua idade, ela era um espanto, e eu era um rapagão, devias ver.
Mas jovem, que fazes aqui? O que te leva a estares aqui sem viveres a tua vida e a desperdiçar a oportunidade de começar um novo rumo ou quem sabe de construíres a pista para uma nova meta, diz-me, o que fazes aqui?
Avô! Vim vê-lo no dia dos seus anos, Parabéns!
sexta-feira, 20 de junho de 2008
O menino
Nascido a beira-mar, cheio de azar, no meio de uma família pobre, sobrevivia à custa do que lhe davam, ou do que ele conseguia arranjar. Apesar das suas dificuldades, não roubava. Fazia tudo, mas não roubava.Sozinho, foi crescendo, habituando à dureza que é a vida, sobretudo tinha imensos valores a defender. Aprendeu sozinho, a conhecer o mundo.
Sair cedo para ir pescar, dedicar-se à agricultura e poder ter o suficiente para viver. Crescer e mal saber falar, não sabia ler nem escrever, mas isso pouco lhe interessava, tinha esperteza para conseguir aquilo que queria.
Foi crescendo longe dos bonecos, sem aquelas brincadeiras que todos têm, sem receber os parabéns no seu dia de anos, sem receber uma única prenda na época natalícia.
Estava abandonado, a família já nem sabia dele, viajava de terra em terra, prestando serviços que lhe garantiam a estadia e o sustento. Era conhecido como o “Labouras”, sempre bem falado, educado, charmoso, trabalhador, simpático.
Sempre à beira-mar, ele vivia só, digamos, apenas tinha um amigo, o oceano. Era com ele que desabafava, era com ele que passava as noites quentes e frias, era ele que o ouvia mesmo que o rapaz não falasse.
Enxugava-lhe as lágrimas, ouvia as suas canções. Mas vivia só.
Fez 18 anos, uma data importante, mas nesse dia, tinha muitas terras a percorrer, tinha de fazer mais alguns trabalhos, passando o dia sem sequer que alguém lhe disse-se, “És um homem, estás grande”.
Ninguém, nem ele mesmo, se importou com isso, já estava habituado a viver assim, a que apenas o admirassem pelo que era, que gostassem da pessoa que era, mas ninguém lhe dava a mão, ninguém lhe dizia, “anda comigo”.
O rapaz cresceu, via todo o mundo divertir-se em festas, mas ele não ia, por ter vergonha de nem saber bem o que aquilo era, e por não ser boa companhia de ninguém.
Foi envelhecendo, chegada aquela idade que as forças não são as mesmas, que já não há capacidades para muito. Estava a ficar debilitado, foi deixando todo o seu trabalho, e apenas por respeito ao que ele foi no passado, não lhe faltava nada, do que era necessário, tinha mantimentos, roupa, comida.
Enfim, certo dia algo o levou, levou a sua alma, para lugar incerto. O mar encarregou-se de guardar seu corpo, levou-o para o fundo das águas, guardando o seu melhor amigo no lugar das jóias, no lugar mais importante, bem perto do seu coração.
Aquele velho, passou a ser apenas uma história, uma lenda, que nunca se apaixonou.
[Foto by VenusN]
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Chorando se foi

Antes de mais, a história que se segue é baseado num facto real, é uma historia veridica e não de imaginação.
Ela acordou um dia! O telefone tocou, era a noticia que jamais quereria ouvir.
Os dias que tinham passados juntos, tinham sido demasiado especiais para deixar de ter qualquer sentido.
‘ Encontrávamo-nos a Novembro de 2002, ela ainda era uma criança, feita mulher, os seus 14 anos ainda estavam praticamente a florescer, andava à procura de felicidade, amor, carinho, divertimento, aquilo que qualquer jovem faz.
Ela de família com pais separados, o seu nome, era provavelmente o nome mais bonito de uma estrela num céu ao luar. Gostava imenso da mãe, um amor daqueles que se conserva até aos nossos dias.
Foi nesta data, que uma amiga lhe apresenta um rapaz, de nome vulgar, um rapaz que sorriu quando a viu, que se alegrou em a ver. De facto, ela era uma miúda muito especial, era daquelas poucas pessoas que à primeira vista causavam um forte impacto, e foi isso que aconteceu. O rapaz apaixonou-se.
Não era difícil lidar com ela, não era difícil entende-la, nem falar-lhe, bastava apenas compreender os seus sinais e tudo se resolveria.
Eram dois pássaros completamente apaixonados, dois pássaros livres, prontos para viver a felicidade, prontos para viver o bom da vida que há lá fora.
Passaram-se meses, e todos os dias tinham um motivo a mais para estarem juntos, juntavam tudo e viviam o momento.
Foi um amor inesquecível, mas, infelizmente algo correu mal. A mãe dela tinha sido destacada para um hospital na zona centro, e claro, teve de arrastar consigo a sua filha que estava a completar o seu nono ano, estava simplesmente a viver o melhor tempo da sua vida, tinha amigos e uma alma que a amava e que lhe jurava o amor de todo o Universo.
Mas ela teve de partir, do dia para a noite, como se mudássemos de canal. Ela teve de vir, sem poder dizer adeus aos amigos, nem ao seu intimo namorado.
Chorou! Ela chorou dias e noites sem conta, chorou sem sentir qualquer felicidade. Apesar de eles terem falado e ele, mais uma vez lhe ter dito que tudo o que se tinha passado jamais seria esquecido, e que ele esperaria o tempo que fosse necessário para que um dia ela pudesse voltar.
Foi uma viagem sem regresso, ela própria sabia que jamais poderia voltar aquele local, não havia condições que permitissem, as dificuldades financeiras obrigaram a perder os amigos, e a vida que tinha, obrigaram-na a perder parte de si e a sua felicidade.
Mesmo sabendo daquelas palavras, ela chorou, continuou a lamentar para as almofadas, a lamentar o destino. Cruel! ‘
Do outro lado da linha só se ouvira: “Lamento”.
Ela pousou o telefone, deixou-se estar a olhar para o rio. A triste noticia que ele tinha morrido, num acidente de viação.
Numa questão de dias, ela perdeu tudo, perdeu a sua vida, perdeu o que não poderia perder, perdeu motivos para viver.
Mas, ainda hoje está viva, ainda hoje diz: “Olá”. Ainda hoje, sorri, conseguiu ganhar forças para uma nova vida, recomeçada no zero.
Apesar de tudo, o único local onde o pode encontrar, é no céu, olhando para as estrelas, sabendo que ele está ali, a ouvi-la, a escutá-la, a olhá-la. Está ali para tudo que ela precisar. Ela, sobretudo, encontrou forças onde não existiam, e enfrentou o mundo.
[Foto by NeverSummer]
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Os meninos da Rua São Valentim
Eles cresceram juntos, viveram juntos, estiveram sempre juntos, dentro da mesma comunidade. Claro, não eram irmãos, nem tampouco namorados.Vinham de duas famílias que se conheciam há bastante tempo e que viviam na mesma rua.
Quando nasceram, foi um enorme explosão de alegria, sensivelmente mais velho um que o outro, o rapaz não aparentava em nada ser mais novo, pois dotado de sabedoria e esperteza, era capaz de dar volta a qualquer situação, já a rapariga, era simples, de valor interiores muito fortes e de um coração do tamanho do mundo.
Ele era rebelde, ela já era mais sossegada, mas eram companheiros de estrada, companheiros de escola e companheiros de um Amizade sem valor calculável.
Ambos viveram momentos especiais, até ao tempo em que a idade já os levava a tomarem as suas decisões, decisões como para onde ir, para onde sair, com quem sair.
Mas, não se afastaram, cada um viveu a sua vida, dentro do mesmo grupo de amigos, dentro das mesmas alegrias, mas tinham outras pessoas que preenchiam os seus corações.
Por incrível, o rapaz até nem teve muita sorte, além de casos perdidos, foram casos que apenas lhe ensinaram algumas coisas da vida, mas ficou por aí, era um solitário e até gostava disso. Já ela, tentou buscar a felicidade e tentou encontrar o tal, tantos e quantos foram que lhe amarrotaram o coração e magoaram a pobre menina.
Hoje, eles são namorados, aliás, sempre o foram, mas nem eles o sabem. Sentem ambos o mesmo por dentro, mas aquela amizade de sempre eleva-se mais e não os deixa fluir outros sentimentos. Entre eles, nasce a palavra amor, entres os seus olhares há um fogo que não se vê.
Nos seus peitos o coração quase arrebenta, mas eles não o deixam sair, apenas aguentam, calados.
Estão a perder o tempo das vidas deles e nunca se falam.
Medo de perder, medo de ficar sem aquela pessoa que jamais sobreviveram sem a sua companhia. A confusão que vai nas suas cabeças baralha qualquer sentido, mas não se assumem, deixam-se ser condenados pelo massacrar do tempo.
Continuam amigos, e hão de o ser eternamente, mas o amor deles, um dia morrerá, um dia vai magoar alguém, e quando se aperceberem, será tarde de mais.
O medo acabou com o amor deles e assegurou apenas a amizade.
[Foto by Davila]
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Havia um menino...
Havia um menino, que jogava a bola, que brincava com os outros, que sorria feliz, que andava de bicicleta, que passeava à tarde, que sorria para as pessoas, que fazia recados, que dançava sem musica, que cantava a musica de ninguém, que soletrava palavras ao vento, que escrevia composições, que brincava ao apanha, que jogava cartas, que corria, que saltava, que enchia balões, que olhava o mundo, que queria ser astronauta, que tinha sonhos belos, que pensava em formar uma família, que pensava ser para sempre criança, que queria ter o mundo, que queria dar o mundo aos outros, que partilhava, que ensinava, que demonstrava, que empenhava carinho.
Na verdade, ele aproveitava a vida, ele acordava e tinha um dia quase sempre igual. Preparava o pequeno-almoço aos pais, dava-lhes um “Olá” especial todas as manhãs, um beijo doce e preparava tudo, depois ia brincar para o quintal, pegava no papagaio e lançava-o ao vento, depois preparava as coisas para a escola, pegava na mochila e dizia “adeus” aos pais, eles sorriam e seguiam para o trabalho.
Ele empenhava-se na escola, ele dava opiniões, participava nas aulas, gostava de aprender, gostava de ensinar, gostar de mostrar conhecimento. Era o aluno preferido da professora.
No recreio, ele tinha o seu mar de amigos, era o “especial”, porque era sábio, era ideólogo, era aventureiro, perspicaz, brincalhão e um bom amigo. Jogava com os outros, contava histórias, dava conselhos, e dizia sempre para que aproveitassem bem a vida.
Depois de almoço, as aulas acabavam e ele podia fazer o que quisesse, completava os deveres, corria para fora de casa e aproveitava o resto do dia, ir correr, passear ou andar de bicicleta. Ia ter com os amigos e passar um bom bocado, ia meditar para um local sossegado, ia brincar com as flores e as borboletas da Primavera, apanhar folhas de Outono, juntar flocos de neve e mergulhar nas ondas de um Verão.
No final do dia, contava uma história para os pais, escrevia mais uma passagem que iluminava o seu livro. Ajudava a mãe a arrumar a cozinha, ajudava o pai nos pequenos trabalhos de casa e depois passava o serão divertindo-se com eles.
Quando a noite chegou, despediu-se com um sorriso e disse, “até sempre”.
Esse jovem tinha 10 anos, e tinha-lhe sido diagnosticado um cancro incurável, nesse dia ele sabia que era o seu ultimo dia, no entanto, viveu como sempre e viveu da mesma maneira, porque sabia que viver uma coisa diferente seria ser quem nunca foi.
Ele apenas quis ensinar que, qualquer que seja o dia do nosso fim, a vida não se pode desperdiçar ao acaso.
Vamos aprender aquilo que as crianças nos têm para ensinar.
Na verdade, ele aproveitava a vida, ele acordava e tinha um dia quase sempre igual. Preparava o pequeno-almoço aos pais, dava-lhes um “Olá” especial todas as manhãs, um beijo doce e preparava tudo, depois ia brincar para o quintal, pegava no papagaio e lançava-o ao vento, depois preparava as coisas para a escola, pegava na mochila e dizia “adeus” aos pais, eles sorriam e seguiam para o trabalho.
Ele empenhava-se na escola, ele dava opiniões, participava nas aulas, gostava de aprender, gostava de ensinar, gostar de mostrar conhecimento. Era o aluno preferido da professora.
No recreio, ele tinha o seu mar de amigos, era o “especial”, porque era sábio, era ideólogo, era aventureiro, perspicaz, brincalhão e um bom amigo. Jogava com os outros, contava histórias, dava conselhos, e dizia sempre para que aproveitassem bem a vida.
Depois de almoço, as aulas acabavam e ele podia fazer o que quisesse, completava os deveres, corria para fora de casa e aproveitava o resto do dia, ir correr, passear ou andar de bicicleta. Ia ter com os amigos e passar um bom bocado, ia meditar para um local sossegado, ia brincar com as flores e as borboletas da Primavera, apanhar folhas de Outono, juntar flocos de neve e mergulhar nas ondas de um Verão.
No final do dia, contava uma história para os pais, escrevia mais uma passagem que iluminava o seu livro. Ajudava a mãe a arrumar a cozinha, ajudava o pai nos pequenos trabalhos de casa e depois passava o serão divertindo-se com eles.
Quando a noite chegou, despediu-se com um sorriso e disse, “até sempre”.
Esse jovem tinha 10 anos, e tinha-lhe sido diagnosticado um cancro incurável, nesse dia ele sabia que era o seu ultimo dia, no entanto, viveu como sempre e viveu da mesma maneira, porque sabia que viver uma coisa diferente seria ser quem nunca foi.
Ele apenas quis ensinar que, qualquer que seja o dia do nosso fim, a vida não se pode desperdiçar ao acaso.
Vamos aprender aquilo que as crianças nos têm para ensinar.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Passarinho
É um passarinho e queria voar, sair do seu ninho, correr esse mundo fora.Queria poder sonhar e sentir o que é estar fora do seu cantinho, mas tinha medo, tinha medo de cair, não sabia bater as asas, não sabia como consegui-lo.
Um dia, o sol bem de manhã cedo, bateu-lhe por entre a penugem, e fê-lo acordar. Como ainda tudo dormia, estava tudo tranquilo, para que não fosse gozado, lá tentou, mas em vão, nada conseguiu, nem sequer passou de um simples pulo. Um pulinho e nada conseguiu.
Nesse dia não conseguiu, ficou triste para consigo, era o único que ainda ficava no ninho esperando que sua mãe lhe trouxesse aquilo que todos os irmãos já faziam, buscar a comida.
Mas não desistiu, até que uma certa manhã, no meio daquelas tentativas e de um pulinho mal calculado caiu, desequilibrou-se e veio por ali a baixo, foi batendo asas, para tentar voar, mas só parou no chão. Pum! Grande queda, não poderia sobreviver, era demasiado alto para o conseguir. Não podia, acontecer isso ao pobre do passarinho, depois de tanto esforço, não.
Levantou-se, ao menos sobreviveu, conseguiu bater asas, mas não voou.
Questionava-se como voltar a subir à árvore, como voltar para o seu ninho. Não esperou ninguém que o socorresse, foi subindo ramo após ramos, folha após folha, pulo após pulo, até que conseguiu chegar de novo ao seu ninho.
Pensava para si mesmo, se voltasse a tentar, se iria cair. Pois era provável que sim, mas não o fez na manhã seguinte, não o voltou a faze-lo nunca mais.
Viveu assim, cresceu ali no seu ninho, até que um dia viu passar um diamante reluzente, uma sua amiga, apaixonou-se. Dizem que o amor pode ser solução!
Foi, correu atrás dela, e conseguiu voar, conseguiu bater asas, pela primeira vez na vida. Conseguiu ir atrás dela, aos solavancos claro, mas foi. O resto da história, não sei porque voaram para longe. Mas que de certo foram felizes, lá isso aposto que sim.
[Foto by Insidesignz]

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